Thursday, February 04, 2010

Caminho meu


Calçada que vou pisando,
Ora portuguesa ora do estrangeiro,
Ruas que vou conhecendo,
Sejam lusas ou inglesas,
Cafés por onde me vou sentando,
Aqui ou em qualquer parte.

Folhas que não deviam aqui estar,
Desordenadas raízes que se levantam do chão,
Troncos ingenuamente desenhados,
Despidos pelo Outono,
Seduzidos por este mistico por do sol.

O meu olfato desperta entusiasmado,
É a maresia que já se aproxima,
Sal que espalho pelos lábios,
Agua com a que embebedo o corpo.

Acendem-se os focos do atardecer,
Iluminam-se as ruas e as casas,
Abrem-se as tascas do meu bairro,
Cheira já quase a verão,
Ou talvez seja mera ilusão.

Ainda há tempo para a despedida,
Aproximei-me já demais,
Salpicam-se os pés da tua sede,
O mar está calmo como eu,
Sereno como a lua que observa,
Astuto como sol que nos guia,
Brincalhão como o dono da tasca.

Já cheguei ao fim deste caminho,
Ainda falta muita viagem

Embaciado


Já não consigo penetrar além do vidro com o olhar,
Apenas sombras se movimentam lentamente,
Parecem até aproximar-se ,
Estão tão distante desde meu corpo.

É suor que escorre pelos múltiplos espelhos,
Poderoso o calor que soltam os nossos corpos,
Olhamo-nos de todas as maneiras,
já não me encontro no reflexo.

Tuas mãos que rasgam este embaciado,
Que fazem formas em movimento,
Que se arrastam com força,
As mesmas que de seguida me tocam,
Que frio, que quente.

Já não posso mais com os óculos postos,
Vou perdendo os sentidos,
Suspirando até não poder mais,
Ardo até nos olhos,
De te ver, de te querer.

Quantas vezes vou repetir,
Deixa-me embaciar tudo novamente.

Tuesday, February 02, 2010

Tu poder. Mi sentir


Mil y una posiciones, millones de sensaciones, todo el poder que tienes sobre mi piel, mis pensamientos, mi sed de vida.

Tu boca es ahora más que una parte de ti,
besos puro extasis,
cada instante a tu lado un viaje,
ardes como el sol,
desconozco las palabras que lo expliquen.

La tierra tiembla cada vez que te veo,
el suelo se me escapa,
caigo sobre mis sentimientos,
me enamoro en cada mirada,
infinita perfección.

Melodias sobre mi cabeza,
silencio absurdo al escucharte,
te necesito,
tengo miedo sin ti.

Noches sin dormir,
dias sin pensar,
eres solamente tu,
desaparezco con tu ausencia.

Prendido de tu olor,
esa magica mirada que me domina,
forma esculpida por dioses,
eres más que amor, mi vida.

Conoci otros mundos,
cada detalhe un país,
fugaz verdad que no puedo olvidar,
resucito en tus brazos.

No existe limite a tu lado,
tu lo eres, todo.

Quiero volver a entrar en ti,
darme nuevamente a la locura,
sin sombras ni oscuridad,
tu eres la luz que necesito.

Porque tu lo vales,
porque yo te quiero.

Tu eres el poder.

Sunday, January 31, 2010

Segundos estranhos

A luz,
o som,
o ar,
o espaço,
Aqui estou aqui.

Podia ter começado de muitas formas,
ter-me perdido em muitos sitios,
ter feito muitas coisas,
mantenho-me aqui.

Visões, pedras, frio, raios, e volto a respirar.

Não há terra que não tenha pisado,
não há chão que não procure,
não há ar que não precise,
mantenho-me aqui.

O fogo,
a terra,
a agua,
o cigarro,
o bolo,
mantenho-me aqui.

Respiram as arvores,
perco-me nos bosques,
subo as pedras,
caminho.

O tempo que passa, as loucuras que faço, e mesmo assim mantenho-me aqui.

Não mudei assim tanto,
por mais que diga pouco ou nada mudava,
por mais que faça pouco ou nada mudará,
mantenho-me aqui.

Ainda vou ficar por aqui,
aproveitar, deleitar-me,
gozar como se fossem apenas segundos,
estranhos segundos estes,
bons demais para serem esquecidos.

Thursday, December 24, 2009

Falando comigo


Dúvidas varias que surgem quando não sabemos tudo e procuramos o desconhecido.

Hoje alguém disse "Tu vives na corda bamba" e não mente.
Não nego, eu vivo.
Limite áspero entre ser e estar, querer e poder, ir ou somente voltar. Tudo parte de um tempo à margem da vida, desprendido de todos, presente no corpo, no meu.

Poemas não nascem do nada e com pouco não me revelo, não me entrego, um muito baseado no quanto baste sem fim que talvez fosse algo que esteve para ser. Não foi.

Ainda sentado à procura, à descoberta do utópico infinito, plena vivência do que tenho e ainda posso ser.

Não suplico nem desejo, não me ofereço assim. Dias ou noites tão díspares quão próximos dos meus mais íntimos desejos e princípios, ainda há vida pensei eu, estou por aqui constatei.

Os segundos teimam em galopar sem poder respirar e perceber tudo o que se está a passar e hoje também o sol está diferente, parece que tem outro tempo, sai lentamente apenas porque eu existo e ela nem devia ter nome.

Não mudou assim tanto desde aquele interminável inicio, sou apenas mais frio e calculista, céptico talvez. No fundo mantenho-me à espreita da oportunidade de me revelar, de me voltar a revelar tal como sinto que sou.

Lembrando tudo o que ainda está por vir crio uma enorme ansiedade que me alimenta e me deixa em transe, expectante, eloquoente até.

Um mundo dentro de um outro tão maior.
Conclusões para que vos quero.

Tuesday, December 08, 2009

Tudo ou nada

A vantagem do saber está em ter plena noção de que jamais esgotámos todas as nossas capacidades de aprendizagem e que não existem fronteiras para o saber.

Com o passar dos anos todos vamos criando teorias sobre o modo como a vida nos leva ou como pensamos muitas vezes estar a levar a vida. No entanto, ainda que não queiramos, de pouco servem já que o efeito surpresa acaba por ser uma constante dentro de uma instabilidade que desconhecemos e que nos apanha de surpresa nos momentos, muitas vezes, menos oportunos.

As amizades que pensamos serem de sangre e para toda uma vida, sem qualquer pretenção a nada, apenas pelo sentimento e humanidade de cada um podem facilmente, e por intermedio de outros, serem destruidas e dificilmente reconstruidas.

Os amores que acreditamos serem para toda uma vida podem, sem argumentos extremamente validos, serem desfeitos fazendo de um sonho um passado ao qual por mais que desejemos não podemos nem devemos voltar, muitas vezes nem sequer conseguimos.

Os objetivos que pensamos serem eternos, são muitas vezes modificados pelas oportunidas, acabam por ser meros passos para um futuro que pode não ser aquele que sonhamos e ainda assim estar dentro do aceitavel para nós, naquele dia, naquele momento, naquele instante.

A vida que um dia sonhamos pode hoje não ser mais aquela que temos apesar de conseguirmos acreditar que a vida que vivemos no hoje é aquela que realmente nos trará toda a felicidade e estabilidade que merecemos ou que trabálhamos para alcançar.

É um tudo ou nada que se desvanece em segundos, um vai e vem de estórias e contos que podem também nem sequer passar de miragens, que podem muito bem ser fruto de ilusões que a vida nos permite deixando assim que o erro seja parte de um todo.

Tudo vai e tudo pode um dia voltar mas para isso é preciso acreditar, acreditar que nunca foi e que provavelmente não existe a necessidade de voltar fazendo daquele dia, daquele instante, um vazio repleto de tanta coisa que faz com que o dia seguinte seja quase ridiculo aos olhos do tempo, da idade e da experiencia que a vida nos dá.

Os calos das mãos não são muito além das marcas e feridas que o corpo, a alma, vai criando e por isso temos de aprender a viver com elas e não tentar de forma absurda acabar, destruir, modificar ou sequer esquecer. tudo faz parte até que nos digam que tudo era parte de um sonho que não chegamos a viver mas que foi necessário para que fosse possivel atingir aquele nivel, aquele patamar.

Quantas pessoas mentem o que são achando que assim conseguem alcançar uma vida que não lhes pertence e quantas, também, são transparentes e tão pouco conseguem atingir aquilo que alguém, em tempos, lhes disse que estariam pre-destinadas a atingir. Tudo vai e vem e nós não temos muitas escolhas apesar de pensarmos muitas vezes que tudo é fruto de um momento isolado em que decidimos tal coisa, alguém também decidiu.

Enganos e desenganos, vidas vividas e outras tantas ficarão por viver com o passar dos minutos, dos meses e até dos anos. Vidas que sendo de outrem não deixam de ser nossas ja que todos formamos qualquer coisa, essa coisa que nos permite ficar ou ir. ir além fronteiras ou ir até ao quarto ao lado. Loucuras e devaneios, promessas e misterios, vinganças e sonhos, tudo e no fundo tão pouco.

Vida que vais.
Ainda és minha.

Thursday, December 03, 2009

Sem nexo. Sem conteudo.


Oscilações que muitas vezes não compreendo são as que me vão permitindo entrar e fugir deste espaço, lugar, deste mundo criado há muito e que agora carrego em mim.

Com tudo espalhado eu não consigo enviar para aqui tudo o que tenho a dizer porque os pensamentos são rapidos demais e as acções sucedem-se sem que eu proprio tenha tempo para respirar profundamente podendo assim repensar tudo o que se está a passar à minha volta tal como na minha vida.

Estou agora aqui num canto quase que fungindo da casa, das roupas, dos papeis, dos compromissos e das ilusões que são como sombra de mim proprio para poder apenas desabafar, apreciar e saborear.

Está tudo espalhado sem duvida. Trabalhos, projectos, ideias, encontros, desencontros. Esqueci-me da roupa que aproveitei para espalhar para acrescentar um pouco mais de cor ao espaço e um pouco mais de furia ao pensamento.

O frio já chegou mas pareço imune, a cabeça já doi ainda que devia era suspirar de alivio, a cama está feita e eu hesito em atirar-me a ela. Mantenho-me aqui, no canto.

Aproveito e espalho também os papeis na tentativa absurda de ver qual fica para cima, afinal de contas pode sempre ser um sinal e eu adoro estes sinais vindos do nada porque fica sempre por provar se eram realmente sinais ou eu é que lhes quis chamar assim.

Tudo ao mesmo tempo.. Tudo no mesmo sitio.. Tudo à mesma hora.. Tudo. Fica espalhado na minha cabeça e não consigo decidir afinal sobre tudo, falta aquele apoio que por muito que nem sempre diga o que pretendemos ouvir sempre nos tira um peso de cima. Tira todo e qualquer peso de cima. é como uma droga com a qual não precisamos de mais nada e nos sentimos a flutuar. Pronto não está cá.

Eu também não estou lá, estou em paradeiro desconhecido. Quem me dera. Estou num sitio qualquer, a fazer qualquer coisa, a pensar em todas as coisas que devo pensar moderadamente, a beber qualquer coisa. Não é uma imagem propriamente feia.

Lembrei-me que ainda tenho de ir arrumar tudo o que espalhei. Espero não me espalhar pelo caminho. Está a correr bem. Respira fundo.

Desliga agora.
Ainda não percebi isto.

Saturday, October 31, 2009

Risueña


Há noites assim.

Aquelas noites em que saimos para ver um sorriso, aquele sorriso que não é fantastico mas que provavelmente é unico, o teu.
Seria impensavel que fosse uma missão facil e como tal teria de ser um sorriso roubado, furto diante de tudo e todos, e até diante de ti, a quem digo tudo quanto sou e mais diria se me fosse dada tal oportunidade ainda não conquistada.

Uma noite perdida naquele calendario repleto de apontamentos,
recheado de notas esquecidas num tempo distante,
e ainda assim,
uma vivencia recente me deixa pasmado,
não es e tão pouco serás,
mais uma vez o além tem mais força que o lado de cá,
que esta realidade que insisto em viver.

Animicamente eficaz, emocialmente eficiente, intelectualmente deslumbrante,
louco estou tal como me ves, com tudo o que sou e posso ser,
enlouquecido por essa verdade que mostras ser, por esse toque que foge de mim,
por essa pele que anseio em tocar.

Não há tese que queira criar, apenas desculpas para que estejas bem perto,
de uma hipotese remota de uma realidade ainda desconhecida,
um prototipo inadequado, um olhar demasiado inteligente, uma pele aspera e sedutora.

Estou a vibrar por ti esta noite,
também a noite passada,
provavelmente a proxima noite também.

Dei à Costa e ai estas tu, Só tu, Tu.